terça-feira, 18 de maio de 2010

Esta vida

Esta vida ás vezes é injusta demais, injusta demais.
Existem dois tipos de pessoa.
Pessoas que no dia de ano novo não pedem mais do que saúde e paz. Não usam as doze passas, não sobem em cadeiras não fazem alaridos, apenas pedem, para dentro, numa voz muda e com um sorriso nos olhos: saúde e paz. Não porque são tristes não porque condenem as atitudes mais efusivas, talvez seja porque não gostam de passas, ou talvez seja por querem multiplicar esses dois desejos por 12, por cem, por mil. Talvez já tenham chegado a uma altura da vida em que por muitos acontecimentos e situações lhes foi mostrado que isso é o que mais importa, que o dinheiro, que os carros as casas e as roupas não trazem felicidade a ninguém.
Talvez porque com saúde e paz tudo o resto seja possível, talvez porque aquele sorriso nos olhos diga mais do que alguém pode perceber, talvez porque essa pessoa tenha nascido assim, sóbria, distante, imperfeita, mas a acreditar na simplicidade das coisas.
Depois há as pessoas efusivas, que escutam as doze badaladas e para cada uma têm um desejo um desejo uma badalada, um desejo uma badalada e assim, até chegar ao doze, em cima de cadeiras com as passas, as notas na mão as cuecas azuis ou vermelhas, seja qual for o credo pagão que sigam, pedem o seus desejos, sem contenções gritam e riem alto. Pedem dinheiro, sucesso no emprego, aquela promoção, pedem paixão e aquela viagem, muitos pedem também saude e paz.
Quem verá os seus desejos realizados, aqueles desejos que pedem no dia de ano novo, aqueles pelos quais se reza na igreja ou baixinho antes de dormir, quem verá os seus sonhos tornarem-se realidade?
Quem pediu no dia de ano novo, que o seu ano trouxesse a morte e a desgraça à sua vida? Quem pediu os problemas de saúde que lhe apertam o coração? Quem desejou perder o emprego? Quem os desejou, quem os pediu? Ninguém.
Quem vê os desejos realizados? A quem acontecem as tragédias? E porquê?
Acontecem a quem pede humildemente, baixinho? Ou acontece a quem pede efusivamente e com alegria?
Quando se entra num novo ano nuncase sabe o que nos espera, o que terá acontecido até ao outro Dezembro? Será esse ano um ano que vai ficar para sempre marcado no nossa memória, por coisas fantásticas ou não? Não sabemos nunca.
A quem acontecem as tragédias que mudam vidas inteiras para sempre? E porquê? Quem é que pensou dizer rapidamente adeus ao marido numa manhã qualquer igual a ontem e ante-ontem, como sendo a última vez em que o iria ver? Quem se lembra disto numa manhã em que tudo está a correr mal? Quem se lembra de numa pressa e correria dizer áqueles que amamos, até logo e gritar não te esqueças que te amo! Na realidade não acontece só aos outros, naquela notícia distante no jornal, as vezes acontece perto de nós, tão perto que assusta. Sentimos medo, e repensamos as coisas. Não acontece só aos outros e não podemos viver com medo, porque viver com medo não é viver, não vamos fazer isto conscientemente, mas vamos colocar isto lá atrás no subconsciente, não vamos assumir como garantidos aqueles que pertencem ao nosso mundo, aqueles pelos quais daríamos a vida, cada um dos nossos dias.

3 comentários:

  1. Tens toda a razão...temos é de pensar naqueles que amamos, em fazê-los sentir amados todos os dias. O pior é que nem sempre nos lembramos disso e ás vezes é tarde demais...Bj:)

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  2. Desculpa lá, mas eu peço sempre: Saúde, Amor e Dinheiro e espero que a ordem do pedido seja respeitada.
    Sem saúde, não posso gozar nenhuma das outras coisas e dinheiro só serve se tiver as outras duas, não será?

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  3. Eu sou como tu Isa, concordo ctg peço saúde para mim, e para os meus e dp peço saude para mim e para os meus, depois peço amor e dinheiro. Sem saude nada vale de nada, tanto a nossa como a dos que amamos. este post foi escrito a pensar numa tragedia que aconteceu a uma pessoa na minha familia e no sentimento de quem é que imaginava que tal coisa fosse acontecer ? A vida é estranha. E é injusta as vezes.

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